Um caminho para lidar com as tretas: a proposta de Ênio Mueller



O Twitter é o grande lar dos chamados "webcrentes". É um termo que já cansou os próprios crentes que usam a rede social. Por qual motivo isso aconteceu? Bem, um dos motivos são as brigas. Inevitavelmente, nós acabamos brigando por vários motivos e isso nos cansa, acaba como a pretensão de unidade que tanto almejamos.


O que tenho percebido diante de tantas pautas é que existem grupos de crentes que não conseguem ter empatia por quem pensa diferente. É muito difícil para algumas pessoas admitir que sua teologia não é o centro da nossa fé, que sua teologia é alvo de críticas e que certos figurões não são um símbolo de perfeição. A reação dessas pessoas ao receberem críticas se resume a deboche, indiretas, acusações infudadas, falsos testemunhos, etc.


A partir disso, surgem vários critérios usados para nos separar e impedir o diálogo. Eu sei que não vamos conseguir construir pontes em todos os âmbitos, que o diálogo vai ser impossibilitado com várias pessoas, seja por nossa culpa ou por culpa do outro. Mas, mesmo assim eu quero trazer uma proposta para nossas relações melhorarem e quem vai nos ajudar é o professor Ênio Mueller.


Em seu livro Teologia cristã em poucas palavras (infelizmente, está esgotado), Ênio trata de uma "orto" diferente: a ortopodia. Ele diz que o ensino correto (ortodoxia) e a prática correta (ortopraxia) devem ser incluídos dentro do caminhar correto (ortopodia). A verdade assim, não é algo que se tem posse mas um caminho que se trilha. Esse caminho vem de uma conversão radical que atinge aquilo de mais profundo em nós, que vem antes das proposições e os fazeres.


Quem ou o que é o caminho? Ora, Jesus. Em Hebreus 12:2, o autor da carta diz que nós devemos abandonar aquilo que nos impede de alcançar o Autor e Consumador da nossa fé. Em Romanos 11:36, aprendemos que tudo é feito para Jesus, por causa de Jesus e por meio de Jesus, Em João 14:6, ele diz:

Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.

Ênio diz que:

A verdade só se faz e só se deixa apreender no próprio caminho, não em conceitos sobre o mesmo e nem em práticas que supostamente devem mostrar que estamos no caminho. É a mudança de metáfora que importa aqui. (p. 27)

Recebemos o evangelho por meio da Revelação (Bíblia). Da revelação procedem os credos e confissões que nos ajudam a nortear os diálogos. Entendemos quem é Jesus, sua morte e ressurreição e temos uma experiência radical de morrer e viver, por meio do batismo. Nossa vida deve ser espelho da vida de Jesus, porque estamos caminhando com ele.

A verdade só se faz e só se deixa apreender no próprio caminho, não em conceitos sobre o mesmo e nem em práticas que supostamente devem mostrar que estamos no caminho. (p. 40)

Aqui está apresentada a proposta do Ênio Mueller: viver uma vida que espelha a vida de Cristo. A partir disso, quando você se sentir impelido a brigar com seu irmão ou quando ver algum irmão se batendo com outro, se questione sobre qual caminho está sendo seguido e qual verdade está sendo propagada.


Se o Evangelho de Jesus não for o critério primário para os nossos diálogos, se a empatia e o amor vindos do caminhar com ele não estiverem presentes em nossa vida, do que adianta esbravejar que você pertence a uma tradição super rica em história e doutrina? Decorar proposições não gera mudança de vida, nem testemunha o nosso Cristo. Andar como ele andou, sim.



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