UFC de crente


Redes sociais são um espaço muito proveitoso. Por meio delas, conseguimos acompanhar gente de todo o mundo, aprender temas novos, fazer amizades, conseguir empregos e até conhecer seus ídolos! Contudo, elas possuem um lado sombrio também: cancelamentos, quebra de privacidade, brigas que levam pessoas a perderem amigos, empregos. É complicado, não é?


O meio cristão não é muito diferente. Eu sou um usuário assíduo do Twitter e lá os cristãos são muito ativos. A comunidade de 2019-2020, que chamávamos de "webcrente" não existe mais. Entretanto, as discussões não param: política, teologia, cancelamentos, um chamando o outro de filho do diabo. As coisas fogem um pouco do limite muitas vezes e isso me deixa um pouco triste.


Nas últimas semanas, fiquei pensando sobre o valor do diálogo:

  • Posso conversar com quem acho equivocado?

  • Falar sobre um assunto, indica que sou um mestre e que estou ensinando?

  • Preciso ter aval da minha igreja local para falar de um assunto nas redes?

  • Diálogo é endosso de uma postura que discordamos?

Fiquei algumas semanas pensando em como podemos usar as redes de forma mais saudável e evitar julgamentos, generalizações. Elenquei alguns pontos que considero essenciais para nos fazer refletir:

  1. Rede social não é igreja local. Não podemos tratar um espaço aberto, em que só mostramos uma parte bem pequena do que somos, como critério para definir e julgar o caráter dos outros. As redes sociais não são espaços para disciplina eclesiástica e podemos cair no risco de levantar falso testemunho.

  2. Diálogo não é endosso. O fato de conversar com alguém, não indica concordância e endosso das suas atitudes, porque dialogar pressupõe que somos diferentes em nossas posições. Diálogo é aceitar o diferente, mas não significa que iremos bater palma para quem discordamos, como se concordássemos.

  3. Falar sobre um assunto não significa se colocar como mestre. As redes sociais são um campo aberto para conexões e debates, para divulgação do conhecimento e existem debates que não encontraremos na nossa igreja local. Falar desses temas, buscar pessoas para discutir não significa que estamos nos colocando como mestres sem o reconhecimento da igreja.

  4. Deixem que a igreja local resolva o problema. A pessoa tem feito besteira? Ela tem falado contra a sua igreja local, tem adotado posições que são contrárias à fé? Deixe que os pastores dela resolvam o problema. Disciplina eclesiástica não é feita por meio de tweets, textos e comentários. Disciplina eclesiástica também não é feita por pastores desconhecidos.

Creio que precisamos lembrar que a salvação pertence ao Senhor e que precisamos andar conforme o Evangelho. Como já disse em outros posts, não adianta cobrar ortodoxia se não andamos seguindo as Boas Novas de Jesus. Falar de conceitos abstratos, apontar o dedo sem andar no Evangelho é problemático. Não adianta entender a Trindade se não vivemos, nem adianta entender as teorias da expiação se não procuramos ser como Jesus em nossa caminhada.


Dito isso, que em 2022 possamos desacelerar um pouco, repensar nossas atitudes à luz da cruz de Cristo e melhorar nosso testemunho virtual. Somos corpo de Cristo em qualquer ambiente, inclusive nas redes sociais. O caminho do Evangelho deve nos guiar em todos os posts que fazemos.

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