O que você precisa saber sobre Gênesis

Todo ano tentamos iniciar um plano de leitura bíblica anual. Nossa escolha é de um plano que comece pelo primeiro livro da Bíblia: Gênesis. Quando lemos, ficamos fascinados com o relato da criação e do dilúvio, com a destruição de Sodoma e Gomorra, com os sonhos do faraó e a ascensão de José como governador do Egito.


Mesmo assim, Gênesis ainda é um livro difícil e cheio de histórias. E para te ajudar na leitura, te daremos cinco princípios.


Gênesis não é sobre a criação do mundo (apenas)


A primeira coisa que você precisa ter em mente ao ler Gênesis, é que o livro é dividido em dois blocos. O primeiro bloco são as histórias primevas que se encontram nos capítulos de 1 a 11. O segundo bloco é a história da família de Abraão que vai do capítulo 12 até o capítulo 50.


As histórias primevas da criação, da queda, do dilúvio e da torre de Babel criam o pano de fundo para a história de Abraão. Leve os primeiros 11 capítulos como um prelúdio para o que você encontra no capítulo 12 até o 50.


Gênesis é um conjunto de histórias


O livro de Gênesis é formado por várias histórias que se interconectam. Como encontrar essas conexões? Quando você ler "Essa é a história das gerações de" ou "Essa é a genealogia de", está encontrando as conexões entre as histórias. Em alguns momentos são apenas genealogias, em outros, narrativas. A palavra hebraica para essas expressões é "toledot".


Gênesis possui uma espiral descendente de pecado


Nas duas partes do livro, temos duas espirais descendentes de pecado e de mal. Na primeira parte temos Deus criando um mundo bom que se corrompe por meio da rebeldia do primeiro casal e essa corrupção chega no seu ápice no dilúvio e também no capítulo 11.


Chegamos no capítulo 12 e vamos a família de Abraão como resposta a essa espiral dos capítulos anteriores. Abraão, apesar de suas falhas é visto como um homem bastante virtuoso e próximo de Deus. Quando Isaque se torna o protagonista, não vemos a mesma virtude. Quando chegamos em Jacó, vemos alguém muito menos virtuoso que seu pai e avô. E quando chegamos nos filhos de Jacó, vemos pessoas muito imorais.


Perceba também que Deus vai sumindo das narrativas. As aparições de Deus, que eram frequentes com Abraão se tornam muito mais raras. Ele aparece poucas vezes a Isaque e a Jacó.


José não é um modelo de liderança


José é chamado para ser a solução para a espiral de imoralidade da sua família, assim como seu bisavô foi chamado para ser a solução da espiral dos capítulos 1-11. Ele é apresentado com o grande herói no final de Gênesis, tendo o dom de interpretar os sonhos do faraó e dar uma solução para a fome, salvando o Egito e as nações vizinhas.


Em Gênesis 47:13-31, vemos a solução errada que José deu para a fome. Apesar de ter aplacado a fome dos egípcios, o governador escravizou todos ao fazer com que vendessem suas terras e animais para o faraó. Além disso, fortaleceu o poder da classe sacerdotal, pois era a única classe que não teve suas terras tomadas por José.


José deu um grande poder ao faraó, junto da classe sacerdotal. E posteriormente, Moisés faz um contraponto no Êxodo: se o faraó concentra as terras, o povo de Deus vai distribuir. Se a classe sacerdotal é uma elite aliada ao faraó, os sacerdotes do povo de Israel não possuirão terra alguma.


Gênesis aponta para o futuro


Em Gênesis 50, José aponta para os seus irmãos que todo o mal que eles fizeram foi transformado em bem para que ele salvasse as pessoas da fome. Isso aponta para a tônica do livro de Gênesis: Deus está trabalhando no mundo, porque o mal não é desapercebido por ele. Deus usa dos seus meios, transformando circunstâncias adversas para trazer o bem e a paz.


Mas o livro de Gênesis traz outra tônica: o projeto de redenção não acaba ali. O livro termina com reticências, a solução de José não traz a redenção. Deus mostra que ainda existe um caminho a se trilhar, que as coisas ainda não terminaram.





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