Maus vencedores e maus perdedores

Entre as coisas que a teologia me ensinou e que custo a entender na prática: por mim mesmo, sou pior que perdedor. Em Cristo, mais que vencedor. Um dia depois das Eleições, a única coisa que posso sentir como cristão é isso. Meu pensamento é "pior que perdedor pelas coisas que faço, mais que vencedor por ser amado apesar de ser quem sou".


Há, entretanto, maus vencedores e maus perdedores. São aqueles que creem ser vencedores pelo que são ou por quem votaram. São os que se julgam perdedores porque serão odiados pela pretensa maior autoridade da um país. Novidade. A eleição que faz alguém vencedor é a incondicional e não a presidencial. E quatro anos não tornam alguém perdedor quando se é vencedor pela Eternidade. Maus vencedores creditam suas vitórias a suas próprias virtudes como se a ninguém devessem. Porque não se convencem de que são os piores quando sem Cristo, acham que podem tripudiar em cima de quem perdeu. Rapidamente, tornam-se também vencedores maus, cruéis. Trazem das torcidas de futebol um jocoso e inocente "chora mais", que no jogo é só uma brincadeira, mas que dito a quem realmente chora, não passa de crueldade. Pastor que diz "chora mais" a quem está com medo ou apreensivo está se desviando de seu chamado pastoral. No pastoreio, abrimos os olhos de quem tem medo de uma falsa ameaça. No pastoreio, abraçamos e confortamos quem estiver apreensivo. O Bom Pastor promete enxugar do rosto as lágrimas dos seus, e não caçoar de quem chora.


Maus perdedores, por outro lado, antecipam as dores. Vivem ansiosos com o dia de amanhã. Prometem resistência ao abstrato e a um concreto que muitas vezes não sabem como resistir. Falham em reconhecer que o mesmo Deus, que me concede virtude mesmo que eu não mereça, pode abençoar o vencedor sem que ele tenha qualquer mérito. Parafraseando Janires Magalhães Manso, no pódio dos vencedores, Jesus esteve cercado por ladrões no lugar de campeões, champanhe é vinagre na boca e a coroa de louros sempre trará consigo seus espinhos. O Terceiro Dia traz a verdadeira vitória. E ali não há pódio. Ali há um trono. E dele vem redenção. Dele, restauração.

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