Eu posso olhar para trás?



Enquanto seguiam pelo caminho, alguém disse a Jesus:

— Vou segui-lo para onde quer que o senhor for.

Mas Jesus lhe respondeu:

— As raposas têm as suas tocas e as aves do céu têm os seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.

A outro Jesus disse:

— Siga-me!

Mas ele respondeu:

— Senhor, deixe-me ir primeiro sepultar o meu pai.

Mas Jesus insistiu:

— Deixe que os mortos sepultem os seus mortos. Você, porém, vá e anuncie o Reino de Deus.

Outro lhe disse:

— Senhor, quero segui-lo, mas permita que antes disso eu me despeça das pessoas da minha casa.

Mas Jesus lhe respondeu:

— Ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus.

(Lucas 9: 57-62 NAA)


Começando


Falamos muito sobre o custo do discipulado. Mas, qual deveria ser nossa reação ao sermos chamados por Deus para caminharmos com ele? Por que as pessoas desistem tão fácil? Temos muitas respostas em mente sobre o assunto, talvez para os outros e não para nós mesmos. Como temos levado o chamado de Deus para nós?


De Lucas 4:14 a 9:50 Jesus estabelece o seu ministério na Galileia. A partir do versículo 51 do capítulo 9, o Mestre está a caminho de Jerusalém. Depois de ser rejeitado pelos samaritanos, ele encontra três pessoas. Duas pediram para seguí-lo e uma ele pediu para que o seguisse. Essas pessoas rejeitam o chamado e Jesus responde cada uma. As respostas dadas podem assustar, porque Jesus não dá um meito-termo para aqueles homens.


Vamos falar dos três: o inconsequente e os arregões.


O inconsequente (v. 57-58)


O primeiro, segundo o relato de Mateus 8:19, era um escriba. Ele chega ao mestre e toma a iniciativa dizendo que o seguirá aonde quer que ele vá, mas Jesus o rejeita. “As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (v. 58) nos leva a refletir sobre os sacrifícios na vida de um discípulo. É uma que não tem confortos. Jesus aponta que os animais possuíam mais conforto que ele mesmo. Ele responde o escriba mostrando que seguí-lo não provém de uma decisão desenfreada.


Jesus mostra que a decisão de ser discípulo não é uma decisão sem reflexão. Não basta apenas dizer "Senhor, eu vou te seguir!" em um momento de alegria, de euforia. É necessário compreender a situação, estar ciente dos sacrifícios que serão feitos durante a caminhada com Jesus. Jesus não prometeu facilidades para o incosequente


Os arregões (v. 59-62)


O segundo foi chamado pelo próprio Jesus logo em seguida. Mateus afirma que era um discípulo, provavelmente alguém das multidões que acompanhavam o Mestre. Ele rejeita o chamado com a justificativa de que deveria enterrar seu pai. Jesus negou esse pedido, afirmando para que ele deixasse isso de lado e pregasse o Reino de Deus.


Provavelmente o pai dele estivesse morto em casa ou já havia sido sepultado. A preocupação do segundo é até legítima, pois haviam uma série de exigências para o preparo do sepultamento e por isso o ele nem deveria estar com Jesus. A questão é que Jesus coloca urgência: o Reino é mais importante, muito mais. Aquele homem, diante da urgência de pregar o evangelho, arrega por achar que uma atividade terrena é mais importante que a celestial.


O terceiro impõe condições ao Mestre. Ele não pode se tornar discípulo sem antes se despedir da família e Jesus não insiste com esse homem. Existia alguma relutância naquele homem diante daquela decisão. Ele não era apto ao Reino de Deus porque queria retroceder e não queria avançar, ele mostra amar mais os seus familiares do que a Jesus.


Quanto custa ser discípulo?


Qual é a nossa reação quando Deus nos chama hoje? Será que colocamos empecilhos? O que dizemos a Deus? Dizemos que antes de pregarmos para alguém precisamos cumprir nossa jornada de trabalho ou terminar nosso curso universitário, por exemplo. Acabamos fazendo como aqueles três homens: dizemos ao próprio Deus, que é o Senhor do Universo que existem áreas em nossa vida que ele não pode suprir e que nós precisamos fazer isso sozinhos. Mas Jesus afirma que devemos buscar o Reino de Deus em primeiro lugar (Mateus 6: 34).


Pra mim, ser discípulo custa uma série de situações e pessoas que amo. É um exercício constante não olhar para trás diante da caminhada com Jesus. Quanto custa ser discípulo para você?


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