Eu e a Bíblia com Igor Miguel


Olá, leitores. Hoje a entrevista é com um pastor e amigo muito querido: Igor Miguel!


Igor é pastor da Igreja Esperança em Belo Horizonte, diretor da E-Missão, mestre em Letras-Hebraico pela USP e é autor do livro A Escola do Messias, publicado pela Thomas Nelson Brasil.


Igor também é pedagogo e professor. Tem várias aulas abertas no Youtube e também possui o canal Teologia Artesanal.


Para mais informações e conteúdos, acesse o link.



1. Como se deu o seu encontro com Cristo?


Minha mãe me levava à igreja evangélica desde meus 5 anos. Aos 9 anos, por alguma razão, eu já possuía algum tipo de fé em Deus. O mundo era maravilhoso demais para mim. Eu tinha um senso de mistério e grandeza a respeito de tudo que experimentava e via como criança. De alguma forma, isso me conduziu a um desejo autêntico de conhecer a Deus. Mais tarde, aos 12 anos, fui batizado, porém, a adolescência foi uma fase bem difícil para mim. Tinha sérias dificuldades com a igreja, achava que ser um cristão verdadeiro era muito difícil, algo impossível, apesar de nunca colocar Deus em questão, isto me inquietava.


Aos 16 anos, tive um tipo de experiência espiritual em que fui levado a um profundo senso de arrependimento, de consciência dos meus pecados. A graça me encheu e me vi com disposições completamente novas para ser um cristão, percebi, que com aquele poder seria possível fazer tudo que Jesus nos pedia. Foi então, que decidi ir ao seminário nesta idade. Daí para frente, vários processos aconteceram, inclusive, tive uma crise com a teologia evangélica ao final dos anos 90. O que me custou muitos anos vivendo uma fé excessivamente legalista.


Quando enfim, em 2007, tive uma espécie de reencontro com o Evangelho e as doutrinas da graça, bem como, a Trindade e os temas caros do cristianismo. Foi fascinante redescobrir a realidade do mundo em Cristo através, principalmente, da teologia de Francis Schaeffer, e por sua vez, a tradição neocalvinista. Esta, me ajudou a integrar a relação entre redenção e criação, devolvendo-me a vida sob a perspectiva do senhorio de Cristo. Bem, esta é uma descrição modéstia de uma jornada que continua.


2. Como se deu sua relação com a Bíblia no início da sua caminhada cristã?


Como resultado desta (re)conversão, digamos, eu descobri as Escrituras. Aquele livro cansativo e nada convidativo se tornou (até hoje me lembro da sensação) como se fosse um livro de ficção que você não desgruda dele. A diferença é que a Bíblia não é um livro meramente humano. Ela é uma espécie de testemunho transgeracional que nos foi entregue pela providência. Sempre olhei para as Escrituras como o livro do meu povo, ela conta a história de Deus, e na medido que leio suas palavras, também sou lido por elas. Não demorou muito, também quis me familiarizar com os textos originais, dediquei quase uma década da minha vida a estudá-la nesses termos. Mas, valeu muito a pena. Até hoje, sou “surpreendido pelas Escrituras”. ;-)


3. O que te levou a querer estudar as Escrituras?


Conhecimento de Deus. Eu queria conhecer a origem de tudo. Queria discernir a maneira como ele me salvou e as razões. Queria entender o que estava acontecendo comigo, e principalmente, de que maneira, Jesus Cristo tinha tanto poder para fazer o que ele estava fazendo comigo. As Escrituras também eram estudas para dar razão pública de minha fé aos não-cristãos.


4. Quais são as dificuldades que você enxerga ao tratar da leitura e estudo da Bíblia na igreja?


Faltam bons mestres e professores dedicados ao ensino das Escrituras. Mas o que eu quero dizer com “bom”? Me refiro a pessoas afetadas e cheias do Espírito Santo, e por consequência, de sua palavra. Não me refiro a dissecadores exegéticos, mas gente cheia de amor a Deus e amor pela igreja, que deseja ver as pessoas vibrando de alegria da salvação com aquilo que Deus dá de si mesmo no cânon das Escrituras. Um bom professor também vive o exercício da compaixão valendo-se de boa didática, boa capacidade de ensino e bom comunicador. Se tivermos bons mestres das Escritura, aqui me refiro a pastores, professores de escola bíblica, discipuladores etc., tenho certeza que teremos avanços significativos no ensino das Escrituras.


5. Quais são as soluções que você daria para essas dificuldades?


Investir nos vocacionados ao ensino das Escrituras. Investir em formação continuada, boa literatura, programas que integram espiritualidade e estudo bíblico, ensino de línguas bíblicas e imersões nas Escrituras. Mas, principalmente, um púlpito bíblico, com pregadores que façam jus à Bíblia como Escritura inspirada por Deus e como fonte de autoridade de fé e prática para a comunidade cristã.


6. Existem leituras externas à Bíblia que te ajudaram, te marcaram em sua trajetória e que você poderia recomendar?


Essa pergunta é difícil, desde meus 17 anos minha vida foi cercada por comentários bíblicos, comentários exegéticos, enciclopédias bíblicas e léxicos. Difícil recomendar apenas um, mas um bom passo é adotar uma boa obra de introdução a Bíblica, recomendaria sem hesitar “E Deus Falou na Língua dos Homens” do amigo Paulo Won. Também recomendaria um livro de introdução à hermenêutica, bem básica, mas fundamental: “Entendes O Que Lês?” de Gordon D. Fee e Douglas Stuart. Para a igreja local e sua relação com a Bíblia, recomendo o livro “A Igreja Centrada da Palavra” de Jonathan Leeman.

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