Eu e a Bíblia com Douglas Araújo


Hoje continuaremos com a nossa série de entrevistas sobre a relação do cristão com a Bíblia. O nosso segundo convidado é Douglas Araújo.


Douglas tem 26 anos, é casado com Lorena, faz graduação em Teologia na Faculdade Teológica Sul-Americana, trabalha como programador e faz divulgação teológica no YouTube há mais ou menos 5 anos no canal Teologueiros.


Douglas Araújo

1. Como se deu o seu encontro com Cristo?


Minha mãe se converteu pouco antes do meu nascimento. Então sempre estive na igreja desde pequeno. Mas aos meus 9/10 anos, num culto específico, em meio aquela música “Última Chance, do Ministério Ipiranga” senti o Espírito falar ao meu coração. Me convenceu que eu era pecador, que eu precisava de Cristo e senti que naquele momento, aquilo estava se tornando real pra mim. Não ia mais à igreja porque meus pais iam, mas porque eu precisava de Jesus.


2. Como se deu sua relação com a Bíblia no início da sua caminhada cristã?


Sempre fui curioso. Tudo que me interessava (desde como pegar as partes da armadura do Megaman no SNES até como o DNA se relacionava com a personalidade de uma pessoa), eu ia atrás de entender mais, ler livros. Quando me converti, não foi diferente. Eu ficava pesquisando teorias, livros, vendo vídeos de debate do William Lane Craig. Não era um estudo “teológico” (no sentido de ser acadêmico, estruturado), era uma curiosidade. Então eu lia muito a Bíblia, tentava entender como os livros da Bíblia se relacionam, ficava buscando em fóruns a resposta pras questões que eu tinha. Não sabia que existia toda uma academia, um estudo teológico, nada disso. Nem sabia da existência do seminário (senão provavelmente teria ido pra um).


3. O que te levou a querer estudar as Escrituras?


Uns anos atrás, a igreja que eu estava começou a fazer uma espécie de “EBD com anabolizante”. A ideia era ir além de uma EBD comum, fazer uns estudos mais “aprofundados”. Começamos pelos livros da Bíblia, partindo de Gênesis. Quando chegamos em Números, o pastor decidiu mudar e ir para um estudo da História da Igreja. Fomos estudar desde Atos até a Reforma Protestante, Calvino, Zwinglio, etc. isso me explodiu a cabeça. Eu nunca tinha ouvido falar sobre esses personagens, sobre essas escolas de pensamento. Não sabia que Lutero tinha feito o que fez. A partir daí, comecei a estudar bem mais a fundo e com mais afinco. Comprei vários livros, chamava meus pastores pra conversar (e até debater com um cafezinho).


4. Quais são as dificuldades que você enxerga ao tratar da leitura e estudo da Bíblia na igreja?


Na igreja? Algumas coisas.


O antiacademicismo. O medo da teologia. O medo das pessoas de “perder a fé” ao estudar demais. Acontece? De certa forma, sim. Mas desanimar a pessoa que começou a estudar não é o caminho mais produtivo.


E o jovem (ah, o jovem), quando começa a estudar teologia, fica animado, querendo compartilhar de tudo, mudar tudo. Isso deve ser acalmado, mas deve ser aproveitado também! Usar essa energia toda e canalizar pra algo produtivo.


E quando se fala do estudo na igreja, é difícil prender o interesse das pessoas e chamar elas pro estudo e pra aprofundar na leitura. Muita gente (pelo medo, talvez) desistiu sem nem tentar. Quer saber de participar do ministério X, de tocar a música que ele gosta, de chamar o cantor Y pro culto. 5. Quais são as soluções que você daria para essas dificuldades?


Sou adepto do João 1:46, do “vem e vê”. Eu tento burlar tudo isso mostrando o que o estudo e leitura fazem na prática, na minha vida. O estudo apaga a fé? Vem e vê minha fé.

Estudo não interessa e são só debates e discussões? Olha aqui a teologia frutificando na minha vida. Estudo é chato? Vem semana que vem ouvir uma aula e vê se não vai sair querendo mudar toda sua vida!


6. Existem leituras externas à Bíblia que te ajudaram, te marcaram em sua trajetória e que você poderia recomendar?


Claro! O primeiro precisa ser “Confissões” de Santo Agostinho. Uma leitura difícil, mas assim, vale a pena só começar, ter o coração atacado pela história dele e voltar a ler posteriormente.


O segundo, “Você é Aquilo que Ama” do James K.A. Smith. Pra quem gostou de Agostinho, gostar do Smith não é difícil (na minha opinião). É um livro que foi muito importante na minha caminhada e me fez amar a Deus um pouco mais.


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