A unidade não é uniformidade


Tenho lido os evangelhos sinóticos desde o dia 10/09. Eu me deparo com a riqueza do texto, com a vida de Jesus e suas obras e fico deslumbrado. E eu também me deslumbro com a diferença entre eles:

  1. Mateus me parece aquela obra que conecta Jesus a tradição judaica e mostra como toda a expectativa dos judeus estava reunida nele. Ele é o Rei dos Judeus;

  2. Marcos me parece aquele livro "introdução". Você lê rapidamente, fica cheio de gás e de repente ele termina. É o evangelho que te deixa com um gosto de "quero mais";

  3. Lucas é o evangelho do historiador. Eu faço História e amo o fato de que Lucas estudou bastante para escrever seu livro e se propôs a ser bem fiel as suas fontes;

Todos eles falam do mesmo Jesus, mas a partir de óticas diferentes. Até alguns relatos que estão em Mateus, estão em uma ordem diferente nos outros evangelhos. Isso tudo me fazia questionar sobre a Bíblia ter livros diferentes que falam da mesma coisa. Eu me questionava sobre qual era o correto, já que a Bíblia é "una".


A questão é que eu percebi estudando, foi: cada evangelho foi escrito em situações diferentes e com intenções diferentes. Os escritores não escreveram juntos. E outra coisa que me pegou foi o fato de que a igreja recebeu os evangelhos como palavra de Deus, em sua pluralidade. Então, me parece que isso era muito bom ter várias perspectivas sobre Jesus.


Por fim, percebi que a pluralidade é algo bom. A igreja era plural, cheia de pessoas que viam de diversas origens. As igrejas eram diferentes, mas estavam unidas por uma pessoa: Jesus, que é o Senhor e salvador do mundo. Minha crise passou quando me deparei com todos esses fatos.


A Bíblia é uma unidade. Amém? Mas essa unidade implica em uniformidade? Creio que não. A Bíblia é um grande mosaico cheio de cores, de gêneros literários diferentes, escrita em contextos diferentes e que no final se complementam em uma obra magnífica de 66 livros. Os cristãos também são um grande mosaico, cheio de ênfases e cores múltiplas e que cantaram juntos ao nosso Deus nos novos céus e terra


Eu creio que tudo isso é plano dEle. Para mim, toda essa pluralidade é uma forma de glorificá-lo e amá-lo. A beleza da nossa fé, a beleza do nosso texto sagrado está na pluralidade. Lembre-se disso!

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